domingo, 27 de março de 2011

O Encontro.

O Encontro ( At. 9:3, 22:6, 26:13)


Hoje, inspirei-me nos textos bíblicos que narram algo que me tira o fôlego e me faz viajar toda vez que leio: O Encontro do Apóstolo Paulo com Jesus. Este Encontro impactantemente transformador, que alimenta e fortalece a quem busca a Jesus como Senhor da vida, nos faz parar e pensar: será que eu já tive um encontro desses e se já tive parei por aí e não me reencontro mais com Jesus? Ou será, que apesar da minha igreja, da minha religiosidade e de todos os cursos, encontros e campanhas que fiz, eu ainda não me encontrei com o Senhor e Salvador de minha vida? Será que sou nova criatura pelo tempo que busco a Deus ou verdadeiramente quero intimidade com o Senhor? Será que meus caminhos estão equivocados e minhas motivações erradas? Será que sou digno de me encontrar com Jesus ou Ele já me escolheu mesmo assim?

Creio, sobrenaturalmente, que O Encontro foi, o que posso chamar, de verdadeiro nascimento do espírito de uma nova criatura, no Espírito, com uma implosão do Eu e uma explosão do amor pela busca da verdade: Jesus Cristo!

Embora o Apóstolo tivesse vivido na mesma época de Jesus, nunca o havia encontrado e como todo bom judeu de ontem e de hoje, muito mais do que não ter conhecido Jesus, é não ter reconhecido Nele, o Senhor e Salvador do mundo.

Você consegue imaginar o Novo Testamento sem as cartas de Paulo, sem toda a vivência dele e sem tudo que ele nos ensina sobre Jesus? Este encontro foi tão necessário, pois os planos de Deus jamais são frustrados, que sofremos até hoje essa influência e desfrutamos da palavra viva de Deus nas epístolas do Apóstolo.

Fico a imaginar toda a história; o antes, o durante e o depois deste Encontro. Antes de ser o apóstolo Paulo; era conhecido como o jovem Saulo, homem ativo, destemido, dono de si, com muitos sonhos, realizações, com muitos feitos, extremamente estudioso das escrituras sagradas e muito bem educado, tudo isso objetivando agradar a Deus e seguir a lei, que é santa e justa. Foi exatamente como ele fora instruído e era o que ele vivia. Seu maior objetivo era perseguir a todos que se diziam de Jesus, ou do Caminho, justamente por compreender que era errado atribuir a Jesus, qualquer mérito que o ligaria a Deus. Sua motivação estava errada, pois perseguia a Jesus por pensar que estava agradando a Deus. É o que, infelizmente, muitos de nós fazemos, quando nos sustentamos com a religiosidade e atribuímos às igrejas, pastores e determinadas situações, aquilo que não é verdade: Eles não podem nos salvar, mas apenas Jesus pode. É este sentimento que muitos de nós temos quando afirmamos e juramos que muitos caminhos levam à Deus e o buscamos nas ciências, religiões e caminhos equivocados, por desconhecermos a verdade.

O jovem Saulo era implacável e cumpria à risca seu maior objetivo: acabar com a seita do Caminho – a igreja dos Santos nos primórdios. Imagino quantos foram perseguidos, presos e mortos em nome de Jesus, sendo Saulo grande responsável por essas ações.
No Encontro, o apóstolo Paulo se viu diante de algo inesperado e estarrecedor: a Luz.(Jo 1:9) A Luz que faltava no seu caminho, que embora ele buscasse essa Luz, estava vivendo em trevas, porque perseguia todos que a buscavam. É algo verdadeiramente impactante, era como se todo o seu conhecimento sobre a lei, sobre Deus, que todos os seus sonhos, objetivos e ideais, que todas as suas crenças e convicções, caíssem por terra. Literalmente, ele caiu do cavalo e a Luz que enxergara, agora o cegara, para que ele pudesse, de fato, distinguir a luz das trevas. Antes, ele enxergava com seus olhos naturais, com a sua razão, que não passava de uma visão limitada pela inteligência humana, pela natureza humana. Foi preciso ficar cego para enxergar o sobrenatural de Deus. Foi necessário que ficasse cego para todas as coisas deste mundo, para que pudesse enxergar a Jesus.

Penso e reflito sobre aquele homem, dono de si, dono e senhor da verdade, caído, cego e precisando de alguém que o guiasse pela mão. Que choque e que dor na alma ele deve ter sentido! Foi um misto de profundo arrependimento, perda de identidade, sonhos e ideais, mudança de conceitos e valores, conhecimento e reconhecimento da lei, do que a lei dizia sobre Jesus, da finalidade da lei, que era e é Jesus. Este Encontro é um verdadeiro refazer e reaprender, conhecer e reconhecer, onde tudo se faz novo. É um sentimento explosivo e devastador quando nos encontramos com Jesus! É algo tão forte, tão intenso, que não é possível descrever em palavras, mas é uma dor necessária ao novo nascimento.

Foram três dias sem comer e sem beber, em um jejum necessitado pela alma e forçado pelas circunstâncias ( At. 9:9 ). Jejum de profunda introspecção e renascimento do espírito. Jejum de profunda intimidade com o novo e o Renovo. Um jejum do esvaziar-se do velho homem e da busca do equilíbrio do que seria útil na nova vida que se descortinava. Neste sentido, durante o caminho de Damasco, ele descobriu o verdadeiro Caminho que temos que passar para chegar a Deus.

O apóstolo Paulo, após o Encontro era outro homem e iniciava seu ministério aos gentios, pregando Jesus, que outrora perseguia e agora confundia a cabeça do povo, (At 9:20-22) porque não entendiam como falava com tanta autoridade, temor e tremor de quem desejava prender e matar( 1 Co 2:4 ). Jesus o escolhera e não há duvidas de que Deus escolhe as coisas loucas deste mundo para envergonhar os sábios. ( 1 Co 1:27)


Jesus transformou Saulo em Paulo, de perseguidor à pregador e perseguido, de doutor da lei, à servo do Senhor, de senhor e dono de seu destino, à escravo do amor e por amor a Jesus, de homem natural e pecador, à homem espiritual e santo, de uma vida equilibrada e pautada na sua inteligência, à uma vida sem destino próprio e direcionada pelo Espírito Santo, de mestre das escrituras, à aprendiz de Jesus, de executor da lei, à escritor da liberdade em Jesus, de paixões e objetivos próprios, à liberdade do seu espírito como o vento, do grito exagerado do seu Eu, à morte fulminante do seu ego. Oh Senhor! Que Encontro é esse Senhor!


Muitas vezes reclamamos e murmuramos(não deveríamos, porque a murmuração é a Língua de Satanás)por causa de sofrimentos e situações que passamos, mas creio que, nada pode se comparar aos sofrimentos que o apóstolo Paulo passou por amor a Jesus e a Igreja. Prisões, perseguições, fome, sede, picada de serpente, naufrágios...“em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes” (2 Co 11.23). “Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas, uma vez apedrejado, em naufrágio três vezes, uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias muitas vezes; em fome e sede, em jejuns muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente a preocupação com todas as igrejas” (2 Co 11.24-28). Chamo a atenção para o que ele diz sobre o que pesa sobre ele "a preocupação com todas as igrejas"...Isso é maravilhoso! Porque, mesmo em meio a todos os sofrimentos externos, o que ele se preocupava mesmo era com o seu ministério e o seu alvo: Jesus!

Quando o apóstolo Paulo fala para que sejamos imitadores dele, ele afirma e complementa como ele é de Jesus! (1 Co 11:1 ). Que sejamos imitadores sim do apóstolo, porque o alvo dele é Jesus! O que muitos de nós não percebemos é que após o Encontro com Jesus, ele manteve-se firme em seu ministério, através de reencontros diários com a palavra de Deus e com o Espírito Santo. Esses reencontros o renovava diante do autor e consumador da sua fé. ( de nossa fé! ). E ia se aperfeiçoando de glória em glória, penso que nada mais o importava, a não ser Jesus! (1 Co 2:2). Na realidade seu primeiro encontro não parou por aí (e não podemos parar também!). A sede e a fome que o apóstolo Paulo possuía do Encontro eram diários e o fazia reencontrar Jesus todos os dias, em tudo que se propunha a fazer. Muitos discípulos andaram com Jesus, mas o apóstolo Paulo teve um Encontro com ele e isso nos demonstra como devemos proceder para seguir a Jesus, numa mudança total de vida (Mc 8:34 ).

O que quero escrever aqui, com muito temor ao Senhor, é que não há uma transformação em nova criatura, quando não nos encontramos com Ele, quando não O seguimos, quando não negamos a nós mesmos por amor a Ele, quando não buscamos intimidade com Ele, quando não abrimos mão de nossas vidas, por amor a Ele, quando não deixamos o Espírito Santo direcionar o nosso viver. Não se engane meu irmão! Repito: não se engane meu irmão! Permita sim, este Encontro único e intransferível com Jesus! Ele é a melhor coisa que pode acontecer na sua vida, porque Ele é incomparável ao ouro, a toda fortuna, ao poder, a gerar um filho ou a qualquer outra coisa. É como uma avalanche que soterra e uma tsunami que destrói o velho homem. É suave e doce como o imenso amor do abraço do Pai ao Filho, no nascimento de um novo homem. Oh, Jesus!

Quero este Encontro Senhor! Muda o curso de minha história, Senhor! Assim como aconteceu com Paulo, muda minha vida e escreva-a no livro da vida. Cumpra seus planos em mim, Jesus! Usa-me como quiseres, Senhor!


Que possamos experimentar, nem que seja uma vez, essa transformação que Jesus nos faz, quando verdadeiramente nos encontramos com Ele. Assim, como Jesus escolheu a Saulo e o transformou em Paulo, Ele, o próprio Jesus escolhe hoje a você, para que você seja a diferença e a mudança na vida de muitos, revestido da palavra e do poder de Deus. Senhor dê-me este Encontro! Senhor eu quero este Encontro e que se perpetue em reencontros para que eu possa Senhor, ver a Luz e dela aprender, renascer e viver.

Nele, O Encontro Único e Verdadeiro!
Paulo Risso
Campos-RJ
Março de 2011.

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